Técnica de vendas
para o final de ano
Como já é final de ano (os supermercados
vendem panettone desde o mês passado) e nossos clientes
passam a dispor de maiores recursos financeiros, agora é
a hora de conquistá-los e aumentar a rentabilidade
de nossos negócios. Neste artigo vou focar a conquista
do cliente da porta da sala de atendimento clínico
para dentro, especificamente a apresentação
do plano de tratamento e a negociação.
Antes de mais nada, devemos ter consciência de que
o foco da consulta de avaliação é o
cliente. Devemos, antes de mais nada, procurar entender
profundamente suas necessidades, anseios, medos, queixas
e tudo o que seja relevante para ele. Algumas vezes pacientes
entram no consultório e me dizem “Odeio dentista.”.
Normalmente respondo “Você me odeia? Mas você
nunca me viu!”. Essa resposta normalmente acaba com
a resistência e a tensão iniciais e abre portas
para o começo de uma empatia mútua.
Para que se crie empatia mútua, é necessário
que haja algo em comum. Começa aí a importância
de uma anamnese personalizada e bem feita. Antes que o paciente
entre no consultório, devemos olhar não somente
sua história médica e odontológica,
mas também os aspectos demográficos, a anamnese
de Marketing, como por exemplo: que revista ele lê,
se trabalha, onde trabalha, com que trabalha, etc. Sabendo
desses dados, podemos então criar empatia por meio
da conversa sobre um assunto que seja de interesse do cliente.
Quero deixar claro que isso não é algo mecânico
e premeditado. Deve ter suas origens no real interesse pelas
atividades do cliente, senão parecerá adulação
e nada pode ser pior do que isso. Se você não
sabe nada de golf, não adianta ficar perguntando
mil e uma coisas sobre golf para seu cliente, logo de início.
Isso é um erro. Você deve conversar sobre algo
que você tenha conhecimento e possa argumentar com
seu cliente. Para isso, você deve ter informações
diversas, sobre política, esportes, economia, atualidades,
lazer, tecnologia, viagens, etc. Ou seja, devemos possui
informação suficiente para sabermos nos relacionar
com um empresário ou com uma babá. Logo, mantenha-se
atualizado. Leia jornal, assine uma revista.
Lembre-se, as pessoas compram de amigos, não de
desconhecidos. Sendo assim, crie um relacionamento com seu
cliente. Isso não é fácil, pois temos
que criar um relacionamento em 45 minutos com alguém
que nunca vimos. E para entrarmos num relacionamento (o
que equivale a um tratamento) que pode durar vários
anos é necessário que avaliemos todos os prós
e contras envolvidos. Quando criamos relacionamentos, o
preço deixa de ser o principal fator que orienta
a decisão de compra, e passa a ser nosso aliado.
Quando criamos relacionamentos, o cliente chega pra você
e diz “Doutor, está caro”, ao invés
de ir embora dizendo que vai pensar. Ele passa a confiar
em você, você deixa de ser simplesmente o provedor
de serviços odontológicos e passa a ser seu
consultor em assuntos odontológicos. Percebi isso
com relação aos antigos “corretores
de imóveis”. Hoje eles se autodenominam “consultores
imobiliários” e a alteração de
denominação não é simplesmente
algo semântico. A conduta mudou, hoje eles estão
mais interessados em ajudar a comprar do que em vender.
Isso é crucial.
Impressione e surpreenda seu cliente. Use uma máscara
de cor que ninguém mais use, uma luva de cor que
ninguém mais use. Seja positivo e agradável.
Jamais queira puxar papo com seu cliente falando sobre o
tempo, sobre o acidente que ocorreu tal dia, sobre o aumento
de impostos, corrupção, etc. Isso pode colocá-lo
num estado desfavorável para o fechamento da venda.
Seja também pontual ou você terá que
superar mais um obstáculo durante a venda.
Devemos conduzir a venda e estar no controle da situação,
afinal os especialistas somos nós. Muitas vezes pode
acontecer de sermos intimidados por clientes que querem
mandar no tratamento, nas nossas escolhas terapêuticas,
na seqüência do tratamento, impor seu preço
e assim por diante. Reaja a essa intimidação
com educação, mas também com força
e segurança. Quando se faz isso adequadamente, não
se gera um antagonismo com o cliente, muito pelo contrário,
ele passa a nos respeitar mais. Uma das conseqüências
desse maior respeito, adquirido pela nossa firmeza ao negociar,
é a diminuição de faltas, pois o paciente
percebe que você não é qualquer um,
mas sim um profissional sério e não está
para brincadeiras e intimidações. Mas esse
são casos raros.
O que normalmente ocorre é o inverso. Normalmente
as pessoas estão dispostas a serem ajudadas e ajudar-nos
a ajudá-las. Crie um ambiente propício a essa
ajuda, obtenha informações relevantes sobre
as patologias dentais. Se você começou o exame
clínico, finalize-o antes de falar de assuntos diversos.
Não intercale assuntos profissionais com assunto
pessoais, senão vai parecer falta de profissionalismo,
e além disso tira sua concentração.
Seja ético. Isso é fundamental pois nunca
sabemos em que circunstâncias aquele tratamento mal
feito foi executado, não sabemos detalhes pregressos.
Conseqüentemente, não sabemos a evolução
do problema. Não é questão de corporativismo,
mas de puro bom senso e sensatez.
Jamais menospreze o cliente. Jamais chame sua atenção
como se ele fosse uma criança. Todos têm suas
razões de agir. Tenha sensibilidade com relação
à auto-estima de seu cliente, seja humano, demonstre
consideração para com seu cliente.
Divirta seu cliente. Nada melhor do que uma boa risada
para quebrar o clima tenso de uma consulta odontológica.
Isso não significa que você tenha que contar
uma piada a seu cliente. Longe disso. Seja profissional,
seja sério. Existem maneiras inteligentes de divertir
sem ser apelativo. Saiba também que nem todas as
pessoas se dispõem a isso. Mais uma vez, tenha sensibilidade.
Seja direto(a) e resolva o problema de seu cliente. Nada
de falar “Acho que pode dar certo” ou “Não
sei”. Se você não tem certeza, adquira
informações, exames complementares até
ter certeza e então proponha algo. Se não
sabe, procure se informar ou encaminhe para alguém
que saiba, pois o importante é resolver o problema
do cliente. Nunca demore demais para dar uma resposta a
seu cliente, ou ele vai achar que você está
inseguro. Se ele achar isso, a confiança se quebra
e suas chances de vender simplesmente vão por água
abaixo.
Além disso, economize o tempo de seu cliente. Isso
é especialmente relevante para clínicos-gerais
que fazem o meio de campo entre as especialidades. Se o
dente vai precisar de perio, endo, aumento de coroa clínica,
provisório, núcleo e coroa, acerte cronologicamente
a seqüência das especialidades, para que o cliente
não perca tempo. Logo, seja eficiente.
Note que até agora não citei o auxílio
de material audiovisual, que pode ajudar, e muito, a venda.
Todos sabemos que uma imagem vale mais que mil palavras.
Assim, tenha sua brochura com exemplos de casos clínicos,
uma revista, um atlas ilustrado ou ainda um software de
exemplos de tipos de tratamento.
Muitas vezes os clientes apresentam objeções
antes de comprar de nós. A objeção
nada mais é do que um pedido de maiores informações.
Ruim é quando o cliente simplesmente vai embora sem
nos dar um feedback. Exemplos de objeções
são: “Nossa, mas ficou caro!” ou “Agora
não posso fazer pois estou pagando meu carro”
ou “Vou pensar e depois entro em contato”. Essas
situações querem dizer “É caro
demais pros benefícios que você me apresentou”
e “Você não me convenceu que minha saúde
é mais importante que meu carro” e “Tenho
muitas dúvidas que o Doutor não esclareceu”.
Assim, quando o cliente apresenta objeções,
a oferta de serviços foi incompleta e não
conseguimos esclarecer totalmente o cliente dos benefícios
advindos do tratamento odontológico. O correto a
fazer nessas situações é perguntar
ao cliente o que não ficou claro e convencê-lo.
Não encare a rejeição como sendo pessoal,
ela não é um fracasso. Você apenas passou
a conhecer mais uma maneira de como não se comportar
durante a oferta de um serviço odontológico.
Saiba dizer “Não”. Não abdique
de sua liberdade pessoal e suas convicções
para agradar seu cliente. Não seja subserviente ou
você perderá seu valor (e sua tranqüilidade).
E finalmente, mais importante do que tudo: depois que você
apresentou o plano de tratamento, as opções,
riscos, custos, etc. e o paciente entendeu e falou que vai
fazer o tratamento, não diga mais nada! Esse é
o momento mais crítico de uma venda. Qualquer coisa
que você fale depois que ele decidiu comprar (e antes
de pagar) só vai estragar as coisas. Se você
insistir nos benefícios do tratamento, na qualidade
do mesmo, na rapidez ou o que quer que seja, vai parecer
que você está desesperado(a) pra vender, e
isso pode comprometer a venda.
Sucesso a todos!
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