“Aos
sonhos não importa o preço” –
Ettore Burgatti
Sim,
seu cliente pode pagar mais!
Desde
a década de 80 a Odontologia vem enfrentando dificuldades,
com o crescente número de convênios associado
ao grande número de faculdades e cursos que acabam
drenando nossos pacientes particulares. A competição
está cada vez mais acirrada e o cliente, como carece
de conhecimentos específicos da área odontológica,
considera aspectos que dizem respeito ao seu atendimento
pessoal (nosso e de nossos funcionários) para avaliar
a qualidade de nosso negócio.
A extrema
competitividade do mercado, associada à falta de
conhecimentos de Gestão e Marketing, levou a maioria
dos dentistas a entrarem numa guerra de preços, por
ser a maneira aparentemente mais fácil de se conquistar
clientes. Contudo, essa estratégia envolve alguns
problemas. Primeiro, se você conquista o paciente
pelo preço, nada impede que outro dentista faça
o mesmo, abaixando seu preço. Outro dia li algo que
me surpreendeu: 85% dos pacientes que trocam de profissional
estão satisfeitos com o mesmo! Mas por que trocam
de provedor então? Trocam pois não soubemos
nutrir o relacionamento com o cliente, porque a marca e
imagem de nossos negócios não está
suficientemente clara na mente do cliente. Logo, se algum
concorrente oportunista aparece para o nosso cliente, existe
uma chance de perdermo-lo para ele, principalmente se basearmos
nossa estratégia em preços.
Nas
pesquisas que tenho feito junto a mais de 200 pacientes,
de classes A, B, C e D, percebi que o preço muito
raramente é a primeira prioridade. Para pacientes
de classe A e B, preço é a terceira prioridade,
ficando atrás da qualidade do tratamento e qualidade
do atendimento. Apenas para clientes das classes C e D preço
é mais relevante, ficando, contudo, atrás
da qualidade do tratamento. Mas então por que competimos
em preços? Porque é mais fácil. Mas
isso é extremamente destrutivo. Muitos de nós
imaginamos que um aumento de 5% nos preços aumenta
nosso lucro em 5%. Mas isso não é verdade.
Um aumento de 5% pode aumentar o lucro em 30%. Sabendo disso,
pode-se imaginar quão destrutivo pode ser para as
finanças de nosso negócio darmos descontos
e nos submeter à pressão do cliente. Um desconto
corriqueiro de 7% pode erodir completamente nossa lucratividade
e até comprometer a viabilidade de nosso negócio.
Mas
como então devemos competir, se não no preço?
Devemos competir no VALOR. É um conceito que exige
determinação do dentista, de valorização
própria. Além disso, isso implica que não
devemos apenas solucionar o problema do cliente, mas sim
oferecer mais conforto, segurança, rapidez, atenção
pessoal, personalização e um serviço
pós venda. Não basta extrair aquele dente
que o incomoda. Assim como empresas têm um serviço
pós-venda (apenas algumas), nosso tratamento não
deve finalizar com a solução ao cliente. Devemos
surpreendê-lo sempre que possível.
Esses
dias atendi uma cliente que tinha uma adesiva de central
feita em outro dentista, que vivia caindo, por sua oclusão
e pelo pequeno tamanho da aleta. Ela a havia colado com
super bonder na manhã e de tarde eu a atendi. Ela
me havia dito que havia perdido duas propostas de emprego
e enfrentava constantes brincadeiras de seu chefe devido
ao fato de o central (pôntico da adesiva em resina)
estar fraturado e que gostaria de fazer um implante. Radiografei
e pedi que sorrisse, para verificar se havia necessidade
de confecção de enxerto além do implante
e ela disse que não conseguia sorrir. Estava muito
séria e desapontada, por seu sofrimento com a estética.
Eu disse a ela que ela sairia do meu consultório
muito mais bonita. Ela me olhou e pude ver que ela pensou
“Quanto isso vai me custar? Estou despreparada, não
trouxe dinheiro hoje”. Em alguns poucos minutos, fiz
o reparo na incisal do central e lhe dei o espelho. Aquele
semblante sério se transformou num sorriso aberto
e feliz. Ou seja, concedi à paciente uma “amostra
grátis” de meu serviço que, além
de mostrar a ela como trabalho, demonstrou que meu interesse
genuíno é ajudá-la, o que facilitou
sua aceitação do meu plano de tratamento.
Nada disso foi intencional de minha parte, mas originado
do meu profundo interesse em vê-la feliz e contente.
Na cabeça dela ela foi procurar um implante. Eu,
ao invés de vender um implante, ofereci a ela alívio
imediato, beleza, cuidado e satisfação.
Então,
surpreenda seu cliente, ofereça algo além
da solução básica, pois só assim
o preço deixará de ser a objeção
principal de seu cliente. Não seja apenas um vendedor
de produtos (restaurações, limpezas, coroas,
etc). Lembre-se de que tudo que é tangível
(instalações, preços, equipamentos,
etc) pode ser copiado por seu concorrente. Mas você
e sua equipe são únicos, cada pessoa tem um
histórico de vida e uma carga de experiências.
Use sua sensibilidade para compreender o problema de seu
cliente e lembre-se que vender é fácil, difícil
é vender por um bom preço.
Sucesso
a todos!
|