Quantos de nós fazemos pesquisas com clientes? Dentre
os que fazem, qual o critério de avaliação
dos resultados? Média dos valores e maioria? Bem,
já é alguma coisa, mas pouca coisa. A maioria
das pesquisas, quando são feitas, oferecem resultados
já esperados, como grande satisfação
com os serviços. Então, por que fazê-las
?
Na verdade, o grande erro está
na construção do questionário. O questionário
é TUDO na pesquisa. É com ele que você
vai saber ou não o que quer. Veja a diferença:
A que mais vejo é essa: Questionário
1
1. Você está satisfeito com
nossos serviços?
2. Você indicaria nossos serviços aos seus
conhecidos?
3. O que melhoraria em nossos serviços?
4. Você está satisfeito com a qualidade do
atendimento e do tratamento ?
Parece boa, mas não é, principalmente
aquelas carinhas tristes e alegres que costumam colocar.
Veja os problemas:
Pergunta 1 – mede
a satisfação do cliente, mas não com
o que ele está satisfeito. Que serviços ele
imaginou? O tratamento de saúde ou o tratamento pessoal
? Na verdade, não há utilidade nenhuma na
pergunta, pois se o cliente não estivesse satisfeito,
ele nem estaria lá se tratando em seu negócio.
A mesma coisa com a pergunta 2
- sim, o cliente diz que indicaria os clientes, mas você
continua sem indicações de seus clientes.
Por que? Você continua sem saber o que faz com que
os clientes indiquem seu negócio.
Pergunta 3 – Boa
pergunta. Trata-se de uma pergunta aberta, que deve ter
espaço para ser respondida, pelo menos umas 3 linhas.
Ao contrário das outras perguntas, fechadas, que
podem ser respondidas com Sim, Não, Talvez, essa
pergunta permite que o cliente se expresse. Mas dá
mais trabalho para analisar.
Pergunta 4 – a
pergunta pede duas respostas na mesma pergunta. E se o cliente
estiver satisfeito com a qualidade do atendimento mas não
com a do tratamento? Confusão na cabeça dele
e dados não confiáveis são os resultados
Agora veja este: Questionário
2
1. Qual sua idade? Sexo? Há quanto
tempo é nosso cliente? Trata-se com que profissional?
2. Você está satisfeito com a nossa disposição
em ajudar?
3. Você está satisfeito com a atenção
dispensada a você?
4. Você está satisfeito com nossa disponibilidade
de horários?
5. Você está satisfeito com a qualidade do
tratamento executado?
6. Você indicaria nossos serviços a seus conhecidos?
7. Você voltaria a se tratar conosco?
Parecem muito semelhantes, os questionários
1 e 2, certo? Mas não, são completamente diferentes.
Pergunta 1 – Dados
demográficos! Sim, dados demográficos são
vitais para você saber quem faz o que. São
as pessoas de mais de 45 anos que indicam seus serviços?
São os homens? São clientes antigos ou novos?
Os que se tratam com o profissional X tem mais inclinação
a indicar pacientes? Ou são os que se tratam com
o profissional Y? Sabendo quem te indica, você simplesmente
foca seus esforços de Marketing nessas pessoas, ao
invés de atirar a esmo para todo lado.
Perguntas 2 e 3 - Você
está perguntando algo sobre a qualidade de relacionamento
com o cliente. São duas perguntas separadas, de dois
critérios distintos de qualidade, muito bom!
Pergunta 4 - A mesma
coisa, você não está perguntando sobre
a qualidade genérica, mas sim sobre um aspecto técnico
específico tangível, a disponibilidade de
horários.
Pergunta 5 – Sim,
perguntamos sobre a qualidade do tratamento executado, ou
seja, se a restauração ficou boa, não
doeu, está bonitinha, não está alta,e
assim por diante. Bem específica.
Pergunta 6 – Perguntamos
se ele indicaria os nossos serviços a seus conhecidos,
como no questionário 1. CONTUDO, há uma grande
diferença! No questionário 1 essa pergunta
não serve pra nada, mas aqui temos os dados demográficos
e as perguntas específicas. Muito bom! Podemos relacioná-las
entre si e descobrir quais fatores levam o cliente a indicar
nossos serviços, com testes estatísticos.
A mesma coisa para a pergunta 7.
Em uma de minhas consultorias, meus clientes
(dentistas) estavam pensando em anunciar no rádio.
Contudo, após pesquisa junto a 100 pacientes e subsequente
análise estatística, descobrimos que apenas
1% de seus clientes acessavam rádio. A maioria via
TV ou ficava na internet. Assim, a idéia de anunciar
no rádio foi descartada e passamos à propaganda
on-line, com o site perfeitamente adequado aos resultados
da pesquisa, ou seja, focando exatamente as necessidades
e desejos dos clientes. Eles estão extremamente satisfeitos
com o resultado.
Assim, não há fórmula
mágica para o marketing. O que funciona pra um nem
sempre funciona para outro. Até mesmo a mesma clínica
pode anunciar em duas revistas, uma de cada bairro, e uma
ter um super retorno e outra não adiantar nada (também
já vi isso).
Com isso quero dizer que a pesquisa junto
a clientes é de vital importância para conhecer
os hábitos deles. Com uma pesquisa, pode-se descobrir,
por exemplo, que a disposição do dentista
em ajudar o cliente é o fator-chave para que ele
indique outras pessoas (é só um exemplo fictício).
Assim, se você quer mais indicações,
deveria se esforçar em ajudar o cliente, daquele
público-alvo. Isso é um longo tópico
a ser falado, estão aí algumas dicas. Mas
é bem diferente da tentativa-e-erro, do "vamos
ver se dá certo".
Neste link há um exemplo de pesquisa
de satisfação, para download grátis,e
explicamos mais detalhadamente o processo de análise
de pesquisas quantitativas: http://www.dr3.com.br/areas/pesquisa2.php
Caso necessite de ajuda para desenvolver
ou analisar sua pesquisa, entre em contato (falecom@dr3.com.br)
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