Em tempos difíceis, como o que vivemos, com o mercado
saturado de profissionais e com o pequeno poder de negociação
de dentistas frente ao cliente, fornecedores de materiais
dentais e laboratórios de prótese (ZIMBRES,
2007), a economia passa a ser uma regra e não
uma opção. Contudo, a economia deve ser aplicada
de maneira inteligente, sem prejudicar o correto andamento
do negócio. Já vi desde a economia de papel
até economia de sabonete em clínicas. Ainda
que haja uma boa intenção nesse tipo de economia,
não é ela que leva a bons resultados. Não
devemos confundir uma economia não planejada com
a real economia, a economia inteligente, que provém
da eficiência.
Eficiência pode ser definida como um maior retorno
financeiro a partir do menor uso possível de recursos,
i.e., materiais, pessoas, etc. Essa economia, a economia
inteligente, está diretamente relacionada à
qualidade. É esse tipo de economia que a Toyota realiza,
por exemplo. Através de seus círculos de qualidade,
os defeitos são diminuídos ao máximo
e com eles, o custo do defeito. Um defeito tem custos de
não qualidade, que podem ser custos internos, de
re-trabalho, conserto e perda de receita proveniente da
insatisfação do cliente e da perda de tempo,
ou custos externos, que levam à perda de clientes
e manchamento da imagem do negócio. A verdadeira
economia está numa maior eficiência de processos
do negócio, como por exemplo, aproveitamento máximo
de tempo de consultas, diminuição de faltas
e consultas onde não há lucro, maior aceitação
de planos de tratamento, etc.
Portanto, a melhor maneira de economizar não é
limitando o uso de materiais, mas agir de maneira inteligente
sempre tendo em vista a conquista e satisfação
do cliente. Para ter cliente é necessário
investir dinheiro. Não há milagre nisso. Não
se pode ter cliente sem fazer investimentos. Contudo, esses
investimentos devem ser feitos em áreas que podem
trazer mais clientes (como em campanhas de marketing) e
em áreas responsáveis pela retenção
do cliente (como em treinamento de funcionários e
dentistas). Em meu ponto de vista é melhor investir
1000 reais e ter 2000 de retorno, com um lucro de 1000 reais,
do que economizar 500 e não ter retorno nenhum e
ainda correr o risco de perder receita existente oriunda
da falta de material e de capacidade de pessoal que pode
comprometer o atendimento.
Já vi dentistas deixando de confirmar a consulta
para não ter que ligar para celulares de clientes
a fim de economizar, mas isso claramente não é
correto. Se o cliente não vem, o tempo ocioso tem
um custo que não será reposto, e com certeza
é muito mais caro do que a pequena economia feita
com a não ligação. Ainda, o corte indiscriminado
de funcionários pode sobrecarregar os que ficaram
no negócio, comprometendo o serviço ao cliente.
Finalmente, tenho visto muitos dentistas buscarem ajuda
na área de Marketing, para conseguir mais clientes.
A meu ver isso claramente não é a solução.
Na área de saúde, confunde-se Marketing com
Gestão. Marketing trata da conquista de clientes
e estratégia de promoção de produtos
e serviços para conquista de mercado (clientes).
Contudo, isso per se só não é suficiente,
pois de nada adianta trazer novos clientes se sua porcentagem
de fechamento de planos de tratamento é baixa ou
se esses clientes não são retidos no negócio
por muito tempo ou se esse clientes não geram indicações
pela propaganda boca-a-boca. É preciso se preparar
para receber o cliente e isso significa ter uma estratégia,
organizar processos, treinar funcionários, analisar
custos e ter eficiência. Isto é gestão.
Logo, de nada adianta uma brilhante estratégia de
Marketing sem o preparo da Gestão. Essa coerência
Marketing-Gestão gera eficiência, maior aproveitamento
de recursos e, desta maneira, conduz a uma economia inteligente.
Sucesso a todos!
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