CUSTOS E RECEITA
Neste artigo apresentarei noções básicas
de finanças para o consultório. Inicialmente,
vamos tratar dos custos. Os custos podem ser divididos em
fixos e variáveis. Custos fixos são aqueles
que são constantes todo mês, como aluguel,
água, luz, salários (inclusive o seu), telefone,
condomínio, etc. Custos variáveis são
aqueles que mudam de mês para mês, como contas
de laboratório de prótese, gastos com materiais
dentais, anúncios, parcelas variáveis de salários
de funcionários, como bonificações,
participações nos lucros, etc. O custo variável
deve ser em torno de 15% dos custos totais, se ele estiver
acima de 20%, deve ser reduzido. E o pró-labore deve
ser em torno de 60% dos custos fixos.
Muitos colegas não têm idéia de seus
custos, mas esse dado é de vital importância
para o sucesso e saúde do negócio. Se queremos
dobrar nossos ganhos devemos saber quanto ganhamos. Não
se pode ter o dobro de um valor não definido. A receita
é todo dinheiro que entra no negócio, como
pagamentos de tratamentos, cheques pré-datados, pagamentos
com cartão, boletos, dinheiro, repasse de convênios,
etc.
Mas por que saber nossos custos? Bem, assuma que você
atenda de segunda a sexta 8 horas por dia. Isso, por mês,
dá 176 horas de atendimento. Supondo-se que seus
custos totais sejam de R$ 2500 por mês, sua hora clínica
custa 14,20 reais (2500 dividido por 176). Logo, se você
vai fazer um procedimento cujo preço seja de 30 reais,
estará ganhando R$ 16,80 naquela hora. Isso tudo
supondo-se que você tem a agenda cheia. Se por exemplo
você trabalha com 50% de sua capacidade, você
terá o mesmo custo para ser dividido em metade do
tempo, ou seja, ele será o dobro. Logo, para o procedimento
que é cobrado 30 reais, seu custo passará
a ser de R$ 28,40 (14,20 x 2), ou seja, seu lucro será
de R$ 1,60. Logo, a solução não é
simplesmente encher a agenda, mas ocupar a agenda com procedimentos
de boa lucratividade.
Isso me leva a outra conta. Supondo-se que você tenha
10 faltas por mês, em um ano terá 120 faltas.
A uma hora clínica de 14,20, vezes 120 faltas no
ano, você desembolsa R$ 1704, de custos de ociosidade.
Deve-se, então, pensar em cobrar as faltas ou por
em prática mecanismos de diminuição
das mesmas.
Agora, como manipular os custos, receita, movimento e ociosidade
para aumentar a lucratividade? O correto seria diminuir
os custos, fazendo cotações em diferentes
dentais, diminuindo o tempo de atendimento, fazendo mais
procedimentos por hora clínica, incorporando uma
parcela variável aos salários dos funcionários,
aumentando ligeiramente os preços, orientando os
pacientes quanto à importância de comparecer
à consulta e investindo em estratégias de
Marketing para diminuir a ociosidade. Esse é o mix
ideal.
Ainda, nem todos procedimentos oferecem a mesma lucratividade.
Por exemplo, uma coroa metalocerâmica que se cobre
700 reais e demore 5 consultas de uma hora para ser feita,
com um custo de laboratório de 150 reais, oferece
um custo de R$ 150 (laboratório) + R$ 71 (14,20 custo
da hora x 5), ou seja, R$ 221. Ou seja, o lucro é
de R$ 479 (700 – 221) em 5 horas, ou seja, R$ 95 por
hora de trabalho. A coroa é, por exemplo, menos rentável
do que uma restauração pela qual se cobre
R$ 120 e que seja feita em uma hora, pois o custo será
de R$ 14,20 e o lucro da restauração, R$ 105,80.
Sendo assim, existe a possibilidade de focarmos nossos esforços
de Marketing em procedimentos mais rentáveis.
PAYBACK
Além dos custos e receita, temos também o
payback ou seja, o retorno do dinheiro investido em sua
formação e na montagem do consultório.
Vamos supor que se gaste 120 mil para se formar e montar
um consultório. Se você planeja receber esse
dinheiro de volta em 20 anos, numa conta básica alocará
6 mil por ano para o payback, o que representa 500 reais
por mês para o retorno do investimento. Esse investimento
fizemos sem pensar no retorno.
Contudo, outra importante aplicação do payback
é saber se um investimento qualquer vale a pena.
Vamos supor que você decida ampliar suas instalações
e gaste, por exemplo, 40 mil reais. Vamos agora supor que
sua nova sala no consultório gere uma receita anual
de 20 mil reais, sendo que os equipamentos têm uma
vida útil de 10 anos. E que para montar essa nova
sala você precise fazer um empréstimo no Banco
do Brasil pelo PROGER.
Comecemos pelo empréstimo. Serão 36 parcelas
de mais ou menos R$ 1300,00, perfazendo um total de R$ 47599,00.
Sendo o custo de aquisição 47 mil reais, a
receita anual de 20 mil reais e o custo do empréstimo
dos 3 primeiros anos, temos que:
1ºano:
Receita de R$ 20 mil– Custo do empréstimo R$
15600 (1300 x 12) = Lucro de R$ 4400
2º ano:
Receita de R$ 20 mil – Custo do empréstimo
R$ 15600 (1300 x 12) = Lucro de R$ 4400, acumulado de R$
8800 (4400 do 1ºano + 4400 do 2ºano)
3º ano:
Receita de R$ 20 mil – Custo do empréstimo
R$ 15600 (1300 x 12) = Lucro de R$ 4400
4ºano em diante
Receita de R$ 20 mil
Logo, o investimento terá seu retorno no meio do
5ºano. E como o equipamento dura 10 anos, os outros
5 anos serão de lucro total de R$ 20 mil, ou seja,
investimento de R$ 47599 trará um retorno em torno
de 153 mil reais (4400 nos três primeiros anos + 20
mil nos outros 7 anos).
Agora, o que é melhor, investir na nova sala ou
aplicar o dinheiro no banco e deixá-lo render ? Bem,
isso exige uma conta mais complexa, pois temos que considerar
o rendimento anual do investimento. Vamos supor que se aplique
em renda fixa, a um rendimento mensal de 1,2%. Com os 47
mil reais, supondo-se que você o tenha em dinheiro
no banco, ao final de 10 anos, com juros compostos, i.e.,
juros sobre juros, seu dinheiro total será de R$
196 mil. Ou seja, o rendimento anual de 20 mil reais provido
pelo novo negócio não vale a pena. Logo, o
negócio deveria fornecer de receita 30 % a mais.
Isso porque os R$ 153 mil deveriam receber mais 50 mil (30%)
para superar o valor obtido com a renda fixa (R$ 196 mil).
Logo, simplificando, o negócio deveria fornecer uma
receita de 30% a mais dos que os 20 mil anuais, ou seja,
em torno de R$ 26 mil, para ser viável.
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