O sucesso
duradouro está relacionado com a palavra sustentabilidade,
muito popular hoje em dia. Crescimento sustentável
é aquele onde não há o extrativismo
dos recursos ou onde o recurso utilizado é reposto,
de modo a não se esvair. Tome por exemplo o petróleo.
Baseado numa atividade extrativista, o mundo corre o risco
de perder essa fonte de energia. Ou seja, quando se extrai
algo até a última gota, esse recurso simplesmente
some. Tendo em vista esse fato, passou-se a buscar alternativas
de energia, como a elétrica, solar, nuclear e o biocombustível.
O Brasil
vem de uma colonização extrativista. Faz parte
da nossa cultura. Além disso, como não passamos
por guerras e calamidades como furacões (exceto o
sul do país), terremotos, etc., a maior parte do
povo brasileiro não sabe planejar o futuro, acumulando
em épocas de fartura para uma eventual época
de “vacas magras”. Conseqüentemente há
o desperdício de recursos e uma cultura de não-economia,
estimulada pelo Marketing agressivo de grandes empresas.
Ou seja, a visão da maioria dos brasileiros é
voltada para o curto prazo, o que acaba fazendo com que
a cultura do planejamento seja pouco difundida.
Mas
no que isso afeta a Odontologia? Bem, sempre digo que o
sucesso é algo fácil de ser atingido. Nada
que não possa ocorrer com um esforço razoavelmente
direcionado, paciência e o passar do tempo. Difícil
mesmo é manter o sucesso. Voltando ao conceito de
sustentabilidade e a cultura extrativista, na sociedade
em que vivemos, com grande padronização de
produtos e alta concorrência, os principais recursos
de uma empresa que geram vantagem sobre as outras são
os recursos humanos.
Sim,
nós e nossos funcionários somos a única
coisa que diferencia nosso negócio de nossos concorrentes,
pois só o ser humano pode agregar valor ao atendimento.
Pode-se copiar o preço, a técnica, a propaganda,
a mobília, mas nunca copiar um ser humano, pois ele
é único. Por exemplo, todos sabemos a importância
da secretária como porta de entrada de clientes para
nossos consultórios. Mas qual nosso investimento
nela e em outros membros da equipe ? Existe um plano de
carreira para ela? Ou ela terá que se contentar em
fazer a mesma função a vida toda? Com a insatisfação
do funcionário corremos o risco de perder tudo o
que ele(a) aprendeu em nosso negócio para um concorrente.
A rotina
e falta de perspectivas esgota e desmotiva o ser humano.
E para nós, que somos dentistas, e cujo trabalho
às vezes pode ser monótono, isso é
especialmente relevante. Quantos de nós temos um
plano de carreira ? A vantagem é que, já que
podemos ser donos de nossos negócios, podemos estabelecer
metas, expandir nosso negócio e evoluir, ao invés
de simplesmente sobreviver.
Esse
investimento no crescimento das pessoas que nos ajudam faz
bem não somente à nossa satisfação
pessoal e delas mas também ao nosso negócio,
que passa a ter mais vida e propósito. Sendo assim,
temos que:
1-
O investimento em pessoas é o primeiro passo para
a sustentabilidade do negócio.
Todos
sabemos que o mundo mudou, e com ele as exigências
dos clientes, que estão mais informados. Some a isso
a saturação de profissionais no mercado e
temos uma situação difícil para lidarmos.
Com isso quero dizer que o modelo de negócios do
passado, abrir o consultório e esperar pelos clientes
já não funciona mais. Logo, temos que mudar
o modelo de negócios. Adotar uma postura pró-ativa
simplesmente não resolve, se você não
estiver preparado para atendê-lo. Com isso não
digo que devamos ir atrás do cliente ostensivamente,
o que não cabe em Saúde e é impedido
pelo nosso Código de Ética. Mas devemos sim,
mostrar ao mercado que existimos, e que podemos ajudar.
Desta maneira, não iremos aliciar clientes, o que
é uma infração ética, mas sim
informar ao mercado que nosso consultório existe,
utilizando palavras propícias para o nosso público-alvo.
Ou seja, o Marketing deve partir de uma estratégia
bem elaborada a partir de nosso banco de dados de clientes
(cuja porta de entrada são as anamneses). Sem isso,
toda estratégia de Marketing se torna igual e ineficiente.
Sendo assim, temos:
2
– Mudar o modelo de negócios é o segundo
passo para a sustentabilidade do mesmo
Um terceiro
passo para a sustentabilidade do sucesso é a inovação.
O mercado de microprocessadores que o diga. A Intel sempre
está duas gerações à frente
dos processadores que utilizamos, pois ela sabe que a Microsoft
e os fabricantes de games estão constantemente evoluindo
e seu processador de hoje logo ficará obsoleto. Assim
também ocorre conosco. Devemos lutar contra a obsolescência
de técnicas e idéias, que funcionaram no passado
mas não são mais adequadas nos dias de hoje.
Nos dias de hoje tudo é muito rápido, em um
dia acessamos mais informação que em todo
o século XVII. Logo, para que possamos inovar, não
podemos nos manter alienados da realidade que nos circunda.
Além
disso, a inovação possui duas facetas:
- ela
pode ser incremental, feita com pequenas modificações
na estrutura do negócio ao longo do tempo. Tome como
exemplo na área técnica odontológica
o evento onde se passou das resinas compostas quimicamente
ativadas para as fotopolimerizáveis.
- ela
pode ser radical, disruptiva, apresentando uma nova técnica,
como o surgimento dos implantes e as promissoras células-tronco.
Somente com pesquisa e desenvolvimento, i.e., conhecimento,
é que podemos contestar os pensamentos e modos de
atuação vigentes, de maneira a criar oportunidades
que beneficiem nosso próprio negócio.
3
– Inovar é o terceiro passo para a sustentabilidade
do negócio
Para
que possamos inovar, faz-se necessário um acompanhamento
próximo do mercado e concorrentes. Isso implica em
posse de informação, que a meu ver é
a grande riqueza do século XXI. E o que é
informação para nós? Informação,
por exemplo, é o seu banco de dados de clientes.
O seu banco de dados de clientes (dependendo de sua anamnese)
significa que o cliente chega para você e diz: ”Sou
assim, freqüento tais lugares, leio tais revistas,
trabalho com isso, gosto disso, tenho tais expectativas
sobre o tratamento, tais expectativas sobre a equipe, não
tenho tempo, quero um tratamento rápido e com qualidade
e não quero que você atrase, não gosto
disso, não gosto daquilo”. Ou seja, de acordo
com sua anamnese ou pesquisas, você pode saber exatamente
como agradar seus clientes. Isso é posse e uso de
informação.
Sei,
por exemplo, que meus leitores, 76% são clínicos
gerais, 70% têm consultório próprio,
a maioria trabalha 40 horas semanais, que 60% dos dentistas
ganham 20% da renda com convênios, etc. Conheça
você também seu público-alvo. A conquista
do cliente nada mais é que o início de um
relacionamento.
4
– A posse de informações e seu uso adequado
são o quarto passo para a sustentabilidade do negócio
Penúltimo,
mas não menos importante, são os relacionamentos.
Quando queremos vender algo a alguém, primeiramente
é necessário que se desenvolva a empatia.
É como um casamento. Ninguém sai por aí
casando com a primeira pessoa que vê. É necessário
um tempo para que um conheça ao outro e possa desenvolver
a confiança na pessoa. Em Odontologia e na Saúde
em geral, existem dois pontos cruciais:
- a
negociação não é simplesmente
limitada a transações, como comprar uma televisão.
As trocas são relacionais, ou seja, ao comprar de
você o cliente leva em consideração
não somente a qualidade técnica do que está
sendo entregue, mas também a qualidade do relacionamento,
sua honestidade, integridade, competência, etc.
- as
trocas envolvem quantia considerável de dinheiro.
Veja, se você comprar um sabonete de 1 real pode até
arriscar uma nova fragrância, para experimentar. Isso
não existe em Saúde. É como comprar
um carro novo. Você tem que ver, experimentar, conhecer
o carro, saber de suas qualificações, seu
preço, se há assistência técnica,
ver o acabamento e o envolvimento emocional tem grande força.
A mesma coisa acontece com nós, dentistas. O cliente
tem que ver seu consultório, como é tratado
pelos funcionários, saber quem é você,
o que faz, seu histórico passado (currículo),
e de preferência ter a indicação de
algum conhecido.
Sendo
assim, o relacionamento é um componente vital da
percepção de qualidade do serviço odontológico.
Ele é criado durante o tratamento e deve ser mantido
ao longo do tempo, por meio de contatos telefônicos
ou postais em datas importantes para o paciente e sua saúde,
entre outros meios. E o relacionamento de negócios
não deve ser restrito apenas a clientes, mas também
devemos nos relacionar com concorrentes, colegas, etc pois
o convívio fora do consultório é de
suma importância, por trazer novas idéias.
5
– O desenvolvimento de relacionamentos é o
quinto passo para a sustentabilidade do negócio
Para
que um negócio cresça de maneira ordenada
e se mantenha bem sucedido, faz-se necessário o controle.
Quando há muito dinheiro disponível e se quer
expandir o negócio, pode-se facilmente dar o “passo
maior do que a perna”, expandindo as unidades de tal
maneira que a estrutura organizacional não seja capaz
de absorver toda informação disponível
para o controle. Ou seja, todos os processos e fluxos de
trabalho devem estar devidamente formalizados por meio de
rotinas de trabalho, para que haja controle sobre o negócio.
Sem o controle, o negócio irá para a direção
que quiser e não necessariamente será a que
você deseja. Além disso, foi demonstrado por
Herbert Simon, ganhador do Prêmio Nobel de Economia
em 1978, que o ser humano é dotado de uma racionalidade
limitada, ou seja, só consegue decidir e prestar
atenção em um número limitado de coisas.
Logo, é muito mais fácil de lidar com problemas
e soluções, se essas coisas estiverem ordenadas
e sob controle.
6
– Ter o controle de seu negócio é o
sexto passo para a sustentabilidade do negócio.
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